Substância pura ou mistura com composição química definida, caracterizada por propriedades físicas e químicas (cor, odor, densidade, ponto de fusão/ebulição). Pode existir nos estados sólido, líquido ou gasoso.
Todo produto químico possui risco! Os riscos podem ser controlados e minimizados com condições adequadas de manuseio, armazenamento e uso de EPIs.
Condição em que produtos se tornam perigosos quando armazenados próximos, podendo reagir e gerar gases, calor excessivo, explosões ou reações violentas.
Os mais perigosos. Podem formar O₂ durante reações, causando incêndios e explosões se próximos a combustíveis. Ex: peróxidos, nitratos, bromatos, cloratos, permanganatos.
NÃO armazenar juntos. Risco de reação violenta, liberação de calor e incêndio. Regra: oxidante + composto orgânico = risco de combustão.
Nunca misturar diretamente. Gera reação exotérmica intensa (respingos e queimaduras). Sempre adicionar ácido à água, nunca o contrário.
Libera gás HCN, altamente tóxico. Ácidos fortes + sais reativos = risco de gás tóxico.
Não armazenar próximos. Formação de gases tóxicos e possível ignição. Regra: redutores + oxidantes = reação perigosa.
Princípio básico: separar por classe de risco e compatibilidade química — nunca por ordem alfabética.
| Classe | Exemplos | Como armazenar |
|---|---|---|
| 🔥 Inflamáveis | Álcool, acetona, solventes | Armário ventilado/corta-fogo, longe de calor, faísca e oxidantes |
| ⚗️ Corrosivos | HCl, H₂SO₄, NaOH | Bandejas de contenção; ácidos ≠ bases; evitar contato com metais |
| 🔴 Oxidantes | Peróxidos, nitratos, permanganato | Isolados, longe de inflamáveis e materiais orgânicos |
| ☠️ Tóxicos | Benzeno, anilina | Local ventilado, acesso restrito, bem identificados |
| ⚡ Reativos | Cianetos, substâncias que reagem com água | Isolados, protegidos de umidade, controle rigoroso |
| 🗑️ Resíduos | — | Separados por classe, identificados (nome + quantidade) |
No Brasil, a FDSM é chamada de FISPQ (norma ABNT NBR 14725, vigente desde jan/2002). Documento elaborado pelo fabricante com informações sobre perigos, uso correto, sintomas de superexposição e procedimentos de emergência.
A FISPQ deve conter obrigatoriamente 16 seções. As mais importantes na prática:
Identificação de perigos
Manuseio e armazenamento
Controle de exposição / EPI
Estabilidade e reatividade
O número CAS (Chemical Abstracts Service) identifica unicamente cada substância química, constando na Seção 2 da FISPQ.
O Diagrama de Hommel (NFPA) usa losangos coloridos para indicar riscos, com valores de 0 a 4 (quanto maior, mais perigoso):
Risco à saúde (0 = Normal; 4 = Mortal)
Risco de incêndio (0 = Não queima; 4 = Extremamente inflamável)
Reatividade (0 = Estável; 4 = Pode detonar)
Riscos específicos: OXY (oxidante), ACID, ALK, COR (corrosivo), radioativo etc.
Verificar embalagem e integridade
Seções 3, 7, 8 e 10
Separado por classe de risco
Luvas, jaleco, óculos etc.
Seguindo normas de resíduos
A água usada em laboratórios deve ser obtida a partir de água potável, tratada em sistema que garanta especificações exigidas pelos órgãos reguladores. A escolha do método depende do espaço físico, custos e aplicação.
Usada em reações químicas e preparo de soluções.
Dissolve grande variedade de substâncias químicas.
Limpeza de vidrarias e equipamentos; processos de esterilização.
A água entra na caldeira, é pré-aquecida, entra em ebulição e condensa — produzindo água química e bacteriologicamente pura.
Remove sais dissolvidos via resinas de troca iônica (catiônica troca H⁺; aniônica troca OH⁻). Menos usado atualmente — eficaz para íons, mas microbiologicamente ineficiente.
Método mais eficaz. Empurra a água sob pressão através de membrana semipermeável. Baixo custo, instalação compacta, uso contínuo sem regeneração.
Osmose: fluxo do solvente de solução pouco concentrada → mais concentrada, através de membrana semipermeável. A osmose reversa inverte esse processo usando pressão.
| Tipo | Pureza | Obtenção | Aplicações |
|---|---|---|---|
| 💧 Tipo III | Básica | Destilação, deionização ou osmose reversa | Preparo de soluções gerais, limpeza de vidrarias, autoclave, meios de cultura, esterilização |
| 💧💧 Tipo II | Média (condut. máx. 1 µS/cm) | Múltipla destilação, deionização ou osmose reversa + destilação | Histologia, EAA, espectrofotometria UV-VIS, microbiologia, diluição de amostras |
| 💧💧💧 Tipo I (Ultrapura) | Máxima (condut. máx. 0,1 µS/cm) | Tratamento de Tipo II + osmose reversa/deionização + filtração 0,2 µm | ICP-MS, HPLC, biologia molecular, eletroforese, cultura celular, genômica |
⚠️ A água Tipo I deve ser usada imediatamente após a produção para evitar recontaminação!
Água potável → Pré-filtração → Osmose reversa → Deionização → Filtração 0,22 µm → Água Tipo I
Indica presença de íons dissolvidos. Quanto menor, maior a pureza.
Quanto maior a resistividade, maior a pureza. ρ = 1/σ
Carbono Orgânico Total. Avalia contaminantes orgânicos (importante para HPLC e espectrofotometria).
Ausência de bactérias, fungos e endotoxinas. Crítica para culturas celulares e microbiologia.
Resultados falsos, alteração do branco analítico, precipitação de reagentes.
Crescimento microbiano indesejado, contaminação de meios de cultura.
Degradação de DNA/RNA, inibição de PCR.
Entupimento de colunas, danos em HPLC e ICP-MS.
Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) são resultantes de atividades de hospitais, clínicas, laboratórios e farmácias. A gestão inadequada pode causar riscos à saúde pública e ao meio ambiente.
A RDC 222/2018 (CONAMA 358/05) regulamenta as boas práticas de gerenciamento de RSS e classifica os resíduos em 5 grupos:
| Grupo | Tipo | Exemplos | Descarte |
|---|---|---|---|
| 🦠 A | Infectantes / Biológicos | Swab com secreção, placa de Petri contaminada, cultura bacteriana | Saco branco com símbolo de risco biológico |
| ☠️ B | Químicos | Corantes, ácidos, solventes, metanol, reagentes vencidos | Frasco rotulado, separado por compatibilidade |
| ☢️ C | Radioativos | Resíduos de radioterapia, medicina nuclear | Conforme normas CNEN |
| 🗑️ D | Comuns | Luva limpa (sem contato com fluidos), papel, restos alimentares | Coleta comum ou reciclagem |
| 🩹 E | Perfurocortantes | Agulhas, lancetas, lâminas, tubos quebrados, ponteiras contaminadas | Coletor rígido (Descarpack), máx. 2/3 da capacidade |
🩹 A luva SEM contato com líquidos corpóreos é Grupo D! Com contato → Grupo A. Agulha → sempre Grupo E. Reagente vencido → Grupo B.
Meios de cultura, placas de Petri, estoques de microrganismos. Destinação: autoclavação antes da disposição final.
Carcaças e peças anatômicas de animais de experimentação. Destinação: conforme PGRSS e normas ambientais.
Membros amputados, órgãos removidos, produtos de fecundação <500g/<25cm/<20 sem. Destinação: sepultamento ou cremação.
Linhas venosas, sobras de amostras sem relevância epidemiológica. Normalmente sem tratamento prévio.
Órgãos/fluidos de pacientes com suspeita de doenças priônicas (ex. Creutzfeldt-Jakob). Destinação: incineração obrigatória.
Resíduos podem ser coletados no mesmo recipiente se tiverem mesma periculosidade + mesmo estado físico + compatibilidade entre si. Critérios:
O rótulo deve conter:
Frascos sem identificação • Misturar resíduos incompatíveis • Descartar reagentes na pia sem avaliação • Ultrapassar 2/3 do coletor • Usar recipientes inadequados • Guardar produtos vencidos
Rotular o recipiente imediatamente • Separar por compatibilidade • Consultar FISPQ e protocolos • Substituir coletores antes do limite • Recipientes adequados ao resíduo • Atualizar inventário regularmente
Documento técnico obrigatório para todo estabelecimento de saúde. Descreve princípios de não-geração, minimização, tratamento e disposição final dos resíduos, diferenciados por categoria. No SP, fichas de recebimento e destinação devem ser arquivadas por 5 anos.
Separação na fonte geradora em recipientes identificados.
Embalagens resistentes e apropriadas para cada tipo.
Área temporária ventilada, protegida e sinalizada.
Carrinhos fechados e específicos para cada tipo de resíduo.
Autoclavação, incineração — reduzem carga microbiana ou periculosidade.
Aterros sanitários, incineração ou métodos aprovados pelos órgãos competentes.
Responda todas as questões e veja sua pontuação no final.
Ao diluir um ácido corrosivo, qual é o procedimento correto?
Por que oxidantes são considerados os mais perigosos para armazenamento?
Qual das situações abaixo representa uma incompatibilidade química?
Qual seção da FISPQ deve ser consultada para saber qual EPI utilizar?
Qual método de purificação de água é considerado o mais eficaz para uso laboratorial e não requer regeneração?
Para qual tipo de análise a água Tipo I (ultrapura) é obrigatória?
O que o TOC (Carbono Orgânico Total) avalia na água de laboratório?
Uma luva descartável usada em procedimento SEM contato com fluidos corpóreos é classificada como resíduo:
Até qual nível de preenchimento deve ser fechado um coletor de perfurocortantes (Grupo E)?
Resíduos de meios de cultura e placas de Petri contaminadas pertencem a qual subgrupo do Grupo A?