Endometriose

🌍 O QUE É?

Endometriose — a doença invisível

Endometriose é uma doença crônica em que o tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) cresce fora do útero — nos ovários, trompas, intestino, bexiga e outros órgãos. Esse tecido reage às alterações hormonais do ciclo menstrual: incha, sangra e inflama, causando dor intensa e lesões progressivas.

É uma doença silenciosa e subestimada: a dor é frequentemente ignorada como "cólica normal", atrasando o diagnóstico por anos.

8 mi
Brasileiras diagnosticadas
Ministério da Saúde, 2024
10–15%
Das mulheres em idade reprodutiva
Assoc. Brasileira de Endometriose
176 mi
Mulheres afetadas no mundo inteiro
OMS / World Endometriosis Society
127 mil
Internações no Brasil entre 2015–2025
DATASUS / Fac. Med. Campos, 2025
🇧🇷 BRASIL EM NÚMEROS

Panorama nacional — internações por região (2015–2025)

🔴 Sudeste54.488 casos
Nordeste32.312 casos
Sul22.714 casos
Centro-Oeste9.237 casos
Norte8.424 casos

O Sudeste concentra mais casos por ter maior densidade populacional E maior acesso a diagnóstico. Regiões Norte e Centro-Oeste têm subnotificação significativa.

2023–2024: pico histórico

2022
82.693 atendimentos no SUS (atenção primária). Crescimento gradual ainda silencioso.
2023
115.765 atendimentos — salto de +40% em um ano. E 15.961 internações registradas.
2024
145.744 atendimentos e 16.014 internações — o maior número da última década. +76,2% em apenas 3 anos.

O crescimento pode indicar tanto maior prevalência quanto maior conscientização. Campanhas de saúde pública como o Março Amarelo têm papel direto nesse aumento de diagnósticos.

📍 SÃO PAULO

São Paulo lidera os números

18%

São Paulo responde por 18% de todas as internações por endometriose do Brasil (2015–2025) — o maior índice do país. Minas Gerais vem em segundo, com 17,02%.

Entre 2019 e 2023, o estado registrou mais de 9.000 internações, sendo 76,9% eletivas (programadas, não de emergência) — o que mostra que a maioria dos casos já chegou ao hospital com diagnóstico estabelecido.

📊

1ª posição nacional

SP é o estado com maior prevalência de internações por endometriose entre todos os estados brasileiros.

🏥

76,9% eletivas

A maioria das internações é cirurgia programada — laparoscopia diagnóstica e tratamento de focos.

📈

Tendência crescente

Os dados de SP acompanham o crescimento nacional — e refletem o avanço das campanhas de conscientização.

📅 FAIXA ETÁRIA

Quem é mais afetada?

Alerta
10–19 anos (adolescentes) — número crescente. Sintomas iniciam aqui.
DATASUS, 2025
24,9%
30–39 anos — faixa com grande número de internações
43,1%
40–49 anos — pico das internações registradas
14,4%
50–59 anos

Os sintomas frequentemente começam na primeira menstruação (menarca), mas o diagnóstico acontece em média entre 25–35 anos — um atraso de 10 a 15 anos. Isso é causado pela normalização da dor e pela falta de informação de pacientes e profissionais de saúde.

Os 10–15 anos de atraso

10–15

São os anos de atraso médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico definitivo.

Esse tempo é perdido em consultas que minimizam a dor, em tratamentos sintomáticos que mascaram a doença e em anos de sofrimento desnecessário.

Quanto mais cedo o diagnóstico → menores os danos → maiores as chances de tratamento eficaz.

💥 IMPACTOS

Como a endometriose afeta a vida

🏥

Saúde física

Dor pélvica crônica, cólicas incapacitantes, hemorragias, cistos nos ovários (endometriomas), aderências e, em casos graves, comprometimento do intestino e bexiga.

🧠

Saúde mental

Ansiedade, depressão e isolamento social são comuns. Anos sem diagnóstico geram sentimento de não ser acreditada — a chamada "gaslighting médico".

📚

Escola e trabalho

Faltas recorrentes, dificuldade de concentração durante as crises, queda no desempenho acadêmico. Adolescentes perdem dias letivos essenciais.

👶

Fertilidade

É uma das principais causas de infertilidade feminina — afeta ovários, trompas e implantação do embrião. Diagnóstico precoce reduz significativamente os riscos.

💰

Impacto econômico

Consultas, exames, medicamentos e cirurgias têm custo alto. Além disso: perda de dias de trabalho, queda de produtividade e afastamentos.

🤝

Relações sociais

A dor crônica afeta a vida sexual, o convívio social e a autoestima. Muitas mulheres evitam compromissos por medo da dor imprevisível.

💬 RELATO REAL

Quem vive, conta

RELATO REAL
"Eu sentia desconforto embaixo do ventre, principalmente no período menstrual. Não consegui engravidar, pois a endometriose afeta os ovários, e isso me deixou depressiva por um bom tempo. Hoje lido bem com a doença e suas consequências."
~6 anosTempo até o diagnóstico
InfertilidadeComplicação enfrentada
DepressãoImpacto emocional
Manejo hojeCom suporte, há qualidade de vida
P
Patrícia, 40 anos
Enfermeira · Diagnóstico tardio

A mensagem de Patrícia: "Busquem mais informações, tenham empatia com quem sofre — e, principalmente, o diagnóstico o mais rápido possível."

Ela também destacou: a sociedade ainda não conhece bem a endometriose, e as dores são frequentemente vistas como exagero. Mudar isso começa aqui.

🩺 SINTOMAS

Os sintomas que não podem ser ignorados

A endometriose tem sintomas variados e que mudam conforme os órgãos afetados. O problema: muitos desses sintomas são "normalizados" pela sociedade. Veja o que é sinal de alerta:

😖

Dor pélvica crônica

Dor constante ou recorrente na pelve, que não está necessariamente ligada ao ciclo menstrual. Pode ser leve ou incapacitante.

🩸

Dismenorreia intensa

Cólicas tão fortes que impedem atividades normais. Diferente de uma cólica comum — não melhora com analgésicos básicos.

💔

Dispareunia

Dor durante ou após a relação sexual. Um sintoma frequentemente ignorado e que afeta muito a qualidade de vida e os relacionamentos.

🚽

Sintomas intestinais

Dor ao evacuar, especialmente no período menstrual. Diarreia, constipação e inchaço abdominal cíclico.

💧

Sintomas urinários

Dor ao urinar, urgência urinária ou sangue na urina durante o período. Pode indicar endometriose na bexiga.

😩

Fadiga extrema

Cansaço desproporcional, especialmente durante a menstruação. A inflamação crônica drena energia do organismo.

🔴

Sangramento anormal

Fluxo muito intenso (menorragia), sangramento entre os períodos ou menstruações muito prolongadas.

🤰

Dificuldade de engravidar

Em muitos casos, a infertilidade é o primeiro sinal investigado — e é quando a endometriose é finalmente diagnosticada.

IMPORTANTE: Nem toda mulher com endometriose tem dor intensa. Algumas são assintomáticas e descobrem apenas ao tentar engravidar. Por isso o rastreamento é tão importante.

Estágios da doença (classificação ASRM)

EstágioGrauCaracterísticas
I — Mínimo1–5 pontosLesões superficiais isoladas, sem aderências significativas
II — Leve6–15 pontosLesões superficiais e algumas aderências
III — Moderado16–40 pontosEndometriomas nos ovários, aderências mais extensas
IV — Grave40+ pontosEndometriomas grandes, aderências densas, estruturas distorcidas

Importante: o estágio da doença não é proporcional à intensidade da dor. Há casos estágio I com dor incapacitante e casos estágio IV com poucos sintomas.

Como é feito o diagnóstico?

📋

Anamnese e exame físico

O médico investiga o histórico de sintomas, padrões de dor e histórico familiar. Exame pélvico pode detectar nódulos.

🔬

Ultrassom

Detecta endometriomas (cistos nos ovários) e nódulos profundos. É o primeiro exame de imagem — mas não exclui a doença se negativo.

🧲

Ressonância magnética

Melhor para mapear lesões profundas e planejar cirurgia. Exame mais completo, porém mais caro.

🏆

Laparoscopia

Padrão ouro do diagnóstico — cirurgia minimamente invasiva que visualiza e retira focos diretamente. Confirma 100% dos casos.

Opções de tratamento

💊 Tratamento medicamentoso

Anticoncepcionais hormonais: pílula, injeção, adesivo ou DIU hormonal. Controlam o ciclo e reduzem os focos.

Progestágenos: reduzem o crescimento do endométrio ectópico.

Análogos de GnRH: induzem menopausa temporária química para reduzir os focos. Uso limitado pelo tempo.

Anti-inflamatórios: controlam a dor, mas não tratam a causa.

🔪 Tratamento cirúrgico

Laparoscopia conservadora: remove os focos preservando os órgãos reprodutivos. Indicada para casos moderados/graves e quando há desejo de fertilidade.

Cirurgia radical (histerectomia): remoção do útero. Reservada para casos muito graves e quando não há desejo de fertilidade. Não é cura garantida — focos fora do útero podem persistir.

Importante: a doença pode recorrer mesmo após cirurgia. O acompanhamento contínuo é essencial.

🌿 Manejo complementar

Fisioterapia pélvica: reduz dor e melhora função muscular do assoalho pélvico.

Psicoterapia: essencial para lidar com dor crônica, ansiedade e depressão associadas.

Alimentação anti-inflamatória: redução de alimentos pró-inflamatórios (açúcar, glúten, laticínios) pode ajudar no controle dos sintomas em algumas pacientes.

Atividade física adaptada: exercícios de baixo impacto ajudam a modular a inflamação e melhorar o bem-estar.
💡 MITOS vs FATOS

Derrubando as mentiras mais comuns

O desconhecimento sobre a endometriose é um dos maiores obstáculos para o diagnóstico precoce. Veja os mitos mais perigosos:

❌ MITO

"Cólica forte é normal. Toda mulher sente."

✅ FATO

Cólica que impede atividades normais NÃO é normal. É sinal de alerta que deve ser investigado.

❌ MITO

"Engravidar cura a endometriose."

✅ FATO

A gravidez pode aliviar temporariamente os sintomas, mas não cura. Após o parto, a doença pode voltar.

❌ MITO

"Endometriose só afeta mulheres adultas."

✅ FATO

Os sintomas frequentemente começam na adolescência, com a primeira menstruação. Jovens também podem ter a doença.

❌ MITO

"Quem tem endometriose não pode engravidar."

✅ FATO

Endometriose reduz a fertilidade, mas não a impede. Com tratamento adequado e precoce, muitas mulheres engravidam.

❌ MITO

"Se o ultrassom deu normal, não é endometriose."

✅ FATO

O ultrassom convencional detecta apenas endometriomas. Lesões superficiais e nódulos profundos exigem exames específicos.

❌ MITO

"A cirurgia cura definitivamente."

✅ FATO

A cirurgia remove os focos, mas a doença pode recorrer. O controle é contínuo e individualizado para cada paciente.

❌ MITO

"Quem tem dor mais intensa tem doença mais grave."

✅ FATO

A intensidade da dor não reflete o estágio da doença. Casos leves podem ser muito dolorosos e casos graves podem ser assintomáticos.

❌ MITO

"Endometriose é só uma doença de mulher que quer chamar atenção."

✅ FATO

É uma doença crônica real, reconhecida pela OMS, com base biológica clara. O preconceito de gênero atrasa o diagnóstico por anos.

O preconceito de gênero na medicina — onde a dor de mulheres é historicamente minimizada — é uma das razões pelo atraso médio de 10–15 anos no diagnóstico. Informação e empatia salvam vidas.

Por que o Março Amarelo?

🎗️

A origem da campanha

O março amarelo é o mês mundial de conscientização da endometriose. A cor amarela representa esperança e visibilidade para uma doença invisível.

📢

O objetivo

Quebrar o silêncio, combater mitos, promover diagnóstico precoce e exigir políticas públicas de saúde para as mulheres com a doença.

🏫

Por que falar na escola?

Adolescentes com endometriose perdem anos sofrendo sem saber o que é. Falar sobre isso na escola pode mudar o curso da doença de uma menina.

🃏 FLASHCARDS

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✏️ QUIZ

Teste seus conhecimentos

QUESTÃO 1

O que é endometriose?

QUESTÃO 2

Qual é o atraso médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico da endometriose?

QUESTÃO 3

Qual destes NÃO é um sintoma típico da endometriose?

QUESTÃO 4

Quantas brasileiras são diagnosticadas com endometriose atualmente?

QUESTÃO 5

Qual é o exame considerado padrão ouro para o diagnóstico definitivo da endometriose?

QUESTÃO 6

Qual estado brasileiro tem a maior incidência de internações por endometriose?

QUESTÃO 7

Por que a endometriose é frequentemente chamada de "doença invisível"?

Gabarito:

A endometriose é chamada de "doença invisível" por vários motivos:

1. Não é visível externamente — os focos estão dentro do corpo.
2. Os exames comuns (ultrassom convencional) frequentemente não detectam as lesões.
3. A dor é subjetiva e frequentemente não acreditada — "é frescura", "cólica normal".
4. Não há marcador sanguíneo específico e definitivo.
5. Muitas mulheres aprendem a esconder a dor por medo de julgamento.

Essa invisibilidade contribui diretamente para o atraso de 10–15 anos no diagnóstico.
QUESTÃO 8

Cite 3 impactos da endometriose na vida de uma adolescente e explique por que o diagnóstico precoce é tão importante.

Gabarito:

Impactos na adolescente:

1. Faltas escolares: cólicas incapacitantes levam a ausências frequentes, prejudicando o desempenho e aprovação.
2. Saúde mental: anos sem diagnóstico geram ansiedade, depressão e sensação de não ser acreditada.
3. Vida social: a dor imprevisível faz a jovem evitar atividades, esportes e eventos, gerando isolamento.

Por que o diagnóstico precoce é importante:
— Interrompe a progressão da doença e evita lesões maiores.
— Preserva a fertilidade futura.
— Reduz o sofrimento físico e emocional desnecessário.
— Permite escolha de tratamento adequado enquanto a doença ainda é controlável.

🎗️ informação salva vidas

A endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres. Falar sobre ela — na escola, em casa, com amigas — é o primeiro passo para reduzir o atraso diagnóstico de 10–15 anos. Você pode fazer a diferença! 💛